No meu tempo…

Uma idade pra se querer…

Abril 2, 2008 · Deixe um comentário

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Uma idade prá se querer

Me contaram que foi realizado em Madrid o “I Congresso Internacional da Felicidade”. E que a principal conclusão dos congressistas foi que a dita cuja só é alcançada depois dos 40 anos.Quem participou desse encontro? Donas de casa, médicos, físicos nucleares, artistas, jogadores de futebol, filósofos? Pouco importa, o que interessa é que o resultado foi pra lá de confortante.A maioria das pessoas, quando é questionada sobre o assunto, diz: “Não existe felicidade, apenas momentos felizes”. Era o que a gente pensava quando estávamos presos na masmorra da segunda década de vida, para onde não voltariamos nem que nos arrastassem pelos cabelos.

Adolescente é bombardeado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, “fazer” academia, chegar cedo em casa, ler livros chatíssimos e administrar dúzias de paixões incendiárias e rompimentos traumáticos. Não tem grana para ter a própria roupa, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o tal do apocalipse, segundo “Seu” João.

Voltando ao início, onde está a felicidade? Lá mesmo, na casa dos 40 e andares superiores, como concluíram os nobres congressistas.

É inevitável que surjam umas ruguinhas, umas mechas brancas, barriguinha & pneuzinhos, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem, cara-pálida, depois dos 40 você paga do próprio bolso o que come e o que veste.

Vira-se no inglês, no francês, no italiano ou espanhol, pouco ligando para quem rí do seu sotaque.

Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por um personal computer e não precisa da autorização de ninguém para viajar para onde quer.

É provável que não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e tem muita simpatia pelo cara.

Pode pagar o doze anos da marca que quiser, e pode mandar uma dúzia de rosas para aquela amiga colorida, que está a quinhentos quilõmetros de distancia, em outra capital.

Depois que cumprimos as missões impostas pela certidão de nascimento, tais como estudar, ter uma profissão, casar/juntar/procriar, passamos a ser alforriados, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades, a admitir e ter carinho pelos nossos defeitos. E, muito importante, podemos chamar prá nossa turma quem quisermos, podemos escolher nossas companhias, sem o desconforto de ter que aturar chatos e depressivos de carteirinha.

Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite pecados conscientes e uma certa loucura, sem culpas. sem Sem precisar pagar conta do analista.

Depois dos 40, conforme descobriram os participantes daquele congresso singular, estamos preparados pra dizer: “A infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes.”

Soa melhor aos ouvidos, né mesmo?

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